About The Blues!

17.09.2008
A Guitarra Blues (Fábio Henrique Posenatto - Caxias do Sul / RS)
A guitarra é o instrumento símbolo do rock n’roll. Foi eternizada por figuras como Jimi Hendrix, Jeff Beck, Keith Richards, Angus Young e tantos outros. Fez surgir inclusive a figura do “guitar hero”, que hoje até mesmo é tema de vídeo game. Entretanto, muito antes disso, a guitarra já havia sido incorporada ao blues, gênero que nasceu essencialmente acústico no final do século XIX.

Não existe um registro oficial como marco inicial da introdução da guitarra elétrica no blues. Muito embora alguns digam que já na década de 1920, em Memphis, no Tenesse já se ouvisse blues elétrico, há um consenso de que a “eletrificação” do blues deu-se mesmo no final da década de 1930 em cidades como Chicago, St. Louis e a própria Memphis. É certo que o nascimento do blues elétrico decorre do fato do gênero ter migrado do meio rural para o meio urbano, quando então “pegou emprestado” a guitarra elétrica do jazz para ser incorporada aos seus tradicionais 12 compassos. A urbanização do blues tornou o gênero mais popular, necessitando assim de instrumentos eletrificados e amplificados para as apresentações, passando portanto a aderir à guitarra elétrica. Assim o blues elétrico ficaria conhecido como o blues de Chicago, enquanto que o blues acústico ficaria eternizado pelo blues do Mississipi.

Inicialmente, as “guitarras” mais se aproximavam de violões elétricos. Foi mesmo a partir do final da década de 1930 que começaram a surgir guitarras acústicas e semi-acústicas. A partir do final da década de 1940, a Gibson lançou uma linha de guitarras acústicas e semi-acústicas para jazzistas que foram amplamente aceitas pelos guitarristas de blues da época. Foram as famosas gibson 175 e 335.

O primeiro grande nome do blues eletrificado foi T-Bone Walker. Sua música foi verdadeira fonte inspiradora para todo o blues elétrico. T-Bone mudou a cadência do blues (mão direita) tornando-o mais vigoroso, característica que até hoje diferencia o blues acústico do elétrico.

A geração seguinte a de T-Bone é aquela mais significativa para a guitarra blues, pois abrange lendas como Muddy Waters, BB King, Howlin Wolf, Wilie Dixon, Jonh Lee Hokker (esse bastante acústico também), Albert King e tantos outros que tiveram reconhecimento mundial.

Em que pese a qualidade e a fama de nomes como BB King e Muddy Waters, foi mesmo Freddie King quem deu uma real “sacudida” na guitarra do blues elétrico. Foi Freddie quem começou a “atacar” as cordas da guitarra enquanto tocava. Infelizmente, Freddie King faleceu no ano de 1976.

Nas décadas de 1950 e 1960, a guitarra blues foi a fonte inspiradora para o nascedouro do rock. Desde de Chuck Berry a Elvis, de Beatles a Stones, todos citam o blues como influência direta.

Na segunda metade da década de 1960 Jimi Hendrix incendeia o blues. Com uma Fender Stratocaster, amplificadores Marshall e pedais de fuzz e wha wha levou o blues a lugares até então inimagináveis. Ninguém até aquelas alturas havia ouvido lincks de blues carregados de “sujeira” como fez Hendrix.

Na mesma época surgiu um guitarrista que iria se tornar o “embaixador” mundial da guitarra blues: Eric Clapton. Apesar de ser branco e inglês deve-se a Clapton a disseminação do estilo em níveis estratosféricos. No que pese Clapton ter transitado por outros estilos, jamais deixou de tocar, divulgar e se confessar um ardente fã de blues.

A década de 1970 foi pouco inspiradora para a guitarra blues. Mesmo assim, figuras como Johnny Winter, Rory Gallagher e Peter Green lançaram ótimos álbuns de blues.

Então no início dos anos 1980 a guitarra blues foi premiada com um músico sensacional chamado Steve Ray Vaughan. Vaughan tocava com uma intensidade até então nunca vista. O que melhor definiu Vaughan foi dito por um autor desconhecido: “tem-se a impressão de que é a última noite que ele tem para tocar” tamanha era a energia de sua guitarra, aliado ainda ao fato de que era um exímio compositor e cantor. Sua trágica morte, em 1989, deixou uma lacuna até hoje aberta.

As décadas de 1990 e 2000 trouxeram outros excelentes guitarristas de blues, como Jonny Lang, Keyne Wayne Shepherd, Joe Bonamassa, Keb Mo, deixando assim viva a chama da guitarra blues.

No Brasil, temos ótimos representantes da guitarra blues. Ninguém conseguiu maior fama como guitarrista de blues em terras tupiniquins do que Celso Blues Boy, que com nítida influência de Eric Clapton conseguiu o feito de emplacar sucessos radiofônicos executando uma boa escala pentatônica. Nuno Mindelis, Big Gilson, Big Joe Manfra, Fernando Noronha são excelentes exemplos de guitarristas brasileiros que tocam blues de excelente qualidade. Não podemos esquecer de Roberto Frejat, guitarrista do Barão Vermelho, mas que vez por outra nos brinda com um belo linck de blues.

Em Caxias do Sul, também há uma cena bluseira impulsionada recentemente pelo surgimento do bar detentor deste espaço. É de lembrar que Solon Fishbone, hoje radicado em Porto Alegre, iniciou seus acordes em Caxias do Sul. Rodrigo Campagnolo e Rafa Danenhauer são exemplos de ótimos guitarristas caxienses de blues. Esse que vos escreve também da suas “arranhadas”, mas como é muito difícil falar da gente mesmo, você terá que ir num show da Juke Joint no Mississipi Delta Blues Bar.

Fábio Henrique Posenatto


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