Clarence Gatemouth Brown

Harmonica Blues

Howlin Wolf

Leadbelly

Muddy Waters

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Chuck Berry

#BluesHistory #ChuckBerry John Lennon já afirmou: “Se o rock and roll tivesse outro nome, ele se chamaria Chuck Berry”. E é verdade. Se existe alguém que merece o título de pai do rock, certamente seria o lendário músico. Falecido em março deste ano, aos 90 anos, Chuck Berry deixou uma extensa carreira que é referência fundamental para o gênero. Ele foi um dos primeiros artistas a unificar subgêneros do blues que eram bastante populares nos EUA no período posterior à Segunda Guerra Mundial e ter ajudado a criar um novo gênero que mudaria para sempre a história da música. O início de Berry na vida musical retrata a difícil situação de vulnerabilidade social que passava na época. Quando jovem, foi pego em uma tentativa de assalto a mão armada e condenado a uma pena de três anos em um reformatório. No local, montou um grupo e passou a realizar apresentações que inclusive se estendiam para além dos muros da prisão. Após ser solto, decidiu prosseguir com a carreira. Apesar da intensa segregação racial que vigorava nos EUA dos anos 1950, o blues já era reconhecido como um legítimo gênero artístico e havia sido inspiração para os estilos de jump blues e rhythm and blues (ou R&B). Ambos os ritmos seguiam por caminhos diversificados: o primeiro era composto de uma batida acelerada, próxima às ‘big bands’, enquanto o segundo possuía referências em vertentes como soul, funk e hip-hop e pop (que eram executadas por diversos músicos negros na época). Berry juntou o que existia de melhor nos dois segmentos, e gravou, em 1955, a canção Maybellene. A música, registrada pela Chess Records (grande gravadora do blues nos anos 50 e 60) serviu como o patamar inicial de uma carreira na qual o músico desenvolveu a técnica e a atitude típicas do rock’n roll. A partir de então, Berry lançaria uma série de singles, incluindo Rock n Roll Music, Sweet Little Sixteen e Johnny B. Goode, que vendeu um milhão de discos em 1958, atingindo o número um da Billboard. Ao longo da sua trajetória como artista, foi uma das referências de grandes bandas que consolidaram o gênero, como The Beatles, Animals e Rolling Stones. Essa última literalmente baseou seu estilo de tocar rock ‘n’ roll dele. Quando Keith Richards premiou Berry no Hall da Fama, disse: “É difícil pra mim apresentar Chuck Berry porque eu copiei todos os acordes que ele já tocou!”. Quando estava no auge da carreira, em 1959, Berry foi preso novamente, desta vez após ser condenado por ter entrado com uma menor de idade para trabalhar no clube noturno que mantinha em St. Louis. Após cumprir pena, foi solto em 1966, porém não alcançou o sucesso de antes. Porém, mesmo após o sucesso, na década de 80, Berry mantinha uma média de 100 apresentações por ano em todo o território norte-americano. Viajando sempre sozinho, selecionava uma banda local para se unir a ele no palco. Depois disso, entre 1994 e 2014, ele tinha o compromisso de se apresentar mensalmente em um bar próximo da cidade onde morava, Ladue, Missouri.


Women In Blues

#BluesHistory #WomenInBlues
A trajetória do blues foi construída por mulheres fortes, independentes e talentosas. Elas personificaram valores associados à defesa do feminismo e da igualdade de direitos, questões brutalmente negligenciadas no período após a abolição da escravidão nos EUA.
No ambiente conservador do início da década de 1920, as dificuldades para a mulher negra continuavam as mesmas do período escravagista: forte intolerância social, trabalho incessante e condições paupérrimas de vida. A duras penas, as mulheres artistas conseguiam o reconhecimento por seu trabalho. Dotadas de autonomia e personalidade para lidar com um ambiente muitas vezes hostil – atraindo a atenção justamente pela independência e por saberem cantar, atuar e dançar – ainda hoje elas podem ser consideradas símbolos de uma causa que perpassa etnias, condição social e (por que não?) distinção de gênero, porque busca promover a igualdade entre as pessoas: o feminismo.
A lista de mulheres que marcaram época no blues é extensa. Entre as pioneiras, estão Mamie Smith, – que em 1920 foi oficialmente a primeira a registrar uma canção em voz feminina – Bessie Smith, conhecida como a Imperatriz do Blues e Memphis Minne, a primeira mulher a cantar e tocar violão e fazer as próprias composições.
Outra mulher notável no universo no blues é Ma Rainy, conhecida por reinventar o gênero. Explorou as apresentações com mais afinco, colocando-as em um teatro e passando a utilizar dinâmicas cênicas durante os shows. Fora dos palcos, a artista tinha um comportamento assumidamente devasso, promovendo festas recheadas de doses extremas de libertinagem. A cantora – que possuía marido e filhos – se posicionava tranquilamente como bissexual (assim como Bessie Smith) em algumas de suas canções.
Ainda destacam-se como ícones dessa época, Clara Smith, Sippy Wallace e Alberta Hunter. Após a década de 20, em função da ascensão do jazz e de outros gêneros musicais, a presença da mulher no blues reduziu. Chippie Colina, que havia deixado o blues em 1930 para cuidar dos sete filhos, retornou à cena musical em 1946, e recuperou o prestígio obtido até a data da sua morte, em 1950.
Em 1968, Koko Taylor, chamada de “rainha do blues”, encantou o mundo com sua voz marcante. Após a sua morte, em 2009, seu legado permaneceu vivo através do trabalho da cantora e instrumentista Victoria Spivey, que interpreta músicas que antes estavam na voz de Koko.


Bottle Trees

#BluesHistory #BottleTrees

A História das Bottle Trees

O tema que batizou o MDBF 2016, Bottle Tree (ou árvore de garrafa, em português) é mais do que um somente um adereço estético, trata-se de uma prática milenar associada a múltiplos significados simbólicos, folclóricos e religiosos. Foi trazida da África para América do Norte durante a escravatura e adotada nas plantações do Sul dos EUA pelosescravos negros que entoavam o coro das canções usadas para marcar o ritmo da colheita – essas foram base para o surgimento do blues como gênero musical.
Normalmente montada com garrafas coloridas colocadas sobre os galhos de uma árvore de mirto crepe (ou uma armação de metal), a bottle tree está associada a uma série de valores espirituais. A tradição remete ao Congo do século IX, período no qual os nativos deixavam garrafas de vidro do lado de fora da casa para afastar os maus espíritos. Segundo a crença, as garrafas capturavam entidades malignas, que eram atraídas devido às cores brilhantes dos objetos. Com a luz do dia, eram destruídas. O som de gemido feito pelo vento ao passar sobre as aberturas de garrafa seria “uma prova” de que o espírito está preso.
Além disso, eram um importante elemento dos rituais mágicos de Hodoo africanos, nos quais o objeto – colocado em uma encruzilhada, um local de grande mistério e poder, segundo a prática folclórica – exercia uma espécie de conexão simbólica entre o reino dos vivos e dos mortos, como um “ponto de passagem” entre as duas dimensões. Da América do Norte, a bottle tree migrou para a Europa – dando origem à famosa bola de cristal das bruxas – e para o resto do mundo, se tornando um prestigiado item de arte popular e decoração de jardim.
As árvores de garrafas carregam uma história atrelada à memória das culturas africanas, e por conseqüência, às próprias raízes do blues. São parte fundamental de um mesmo universo cultural que se multiplica em diversas vertentes – seja nas artes visuais, música, literatura, dança ou outros segmentos artísticos – e que segue em constante transformação.


Highway 61

ROTA 61 – THE GREAT RIVER ROAD Tal como sugere a faixa-título do álbum “Highway 61 Revisited” de Bob Dylan, a estrada é um retrato da linda poética de desencanto que caracteriza a cultura do blues e personifica a quintessência do gênero. A rodovia inicia no norte dos EUA, em Saint Paul, em Minnesota, passa por Memphis, pelo delta do Mississippi, chegando até a Louisiana, extremo sul . De localidades próximas a essa “estrada do blues” surgiram lendas como Robert Johnson, Muddy Waters, Son House e B. B. King. A “The Great River Road” pode ser considerada um legado vivo da memória que permanece enraizada no ambiente urbano e nos hábitos culturais locais.  A Rota 61 percorre mais de oito estados e 2,3 mil km ao longo do curso do rio Mississippi, através de localidades que serviram de base para a gênese e profusão do blues como gênero musical e referência cultural em todo o mundo. Essas regiões são o berço das canções melancólicas de origem espiritual cantadas pelos escravos norte-americanos, que ajudaram a criar o blues e outras tendências como jazz, soul, country blues e rock and roll. A Rota 61 também é lembrada como o caminho pelo qual os negros deixaram Mississippi para encontrar melhores oportunidades de vida após o período escravocrata.  Além de música – muita música, diga-se passagem, seja em ambientes públicos, ou na grande quantidade de bares, restaurantes ou juke joints – a rodovia passa por locais únicos, de intensa efervescência cultural, como Museu Stax da Soul Music, em Memphis, antiga sede da gravadora Stax Records, onde famosos artistas como Isaac Hayes, Aretha Franklin, Johnny Cash e Jerry Lee Lewis gravaram algumas de suas músicas.


Rosa´s Lounge – Chicagoes

BLUES HISTORY 
ROSA’S LOUNGE

A história do blues é constituída de altos e baixos. Desde o seu surgimento e posterior afirmação como um legítimo gênero musical, o estilo passou por diversas transformações. A própria raiz cultural africana que serviu de base para o desenvolvimento do blues também foi alterada em solo norte-americano devido à influência dos valores locais. No entanto, existem recantos nos quais o blues permanece conectado a essa origem, tanto no estilo visual dos ambientes como nas atrações que se apresentam nestes locais. Um deles é o Rosa´s Lounge, localizado em Chicago, dedicado a preservar a tradição do blues sulista norte-americano. 

O Rosa´s iniciou as atividades com o propósito de manter o mesmo espírito dos juke joints do deep south – como o lendário Theresa´s Lounge, uma das principais referências da fidelidade ao estilo original do blues – e busca ser uma homenagem a estes estabelecimentos, ao mesmo tempo em que mantém vivo o legado deixado por quem deu os primeiros passos na história do blues. O estabelecimento existe há 32 anos e possui o nome da mãe do proprietário, Tony Manguillo, imigrante italiano que chegou a Chicago em 1974 fascinado com o gênero após conhecer Jr. Wells e Buddy Guy em Milão. Tony, já estabelecido em Chicago, trouxe a Mamma Rosa da Italia que pode ser vista corriqueiramente atendo os clientes atrás do balcão ou autografando um postar com sua foto no passado.

A lista de atrações do Rosa´s agrega nomes tradicionais como David Honeyboy Edwards, Homesick James e Pinetop Perkins, além de artistas locais Billy Branch, Melvin Taylor e Sugar Blue. Outros representantes da segunda geração do blues como Eddie Taylor Jr. e Lurrie Bell também marcam presença por lá. 
O Rosa´s Lounge foi nomeado pelo New York Times como o “Melhor Clube de blues de Chicago” e é considerada uma “Meca para verdadeiros amantes do blues” pela revista Rolling Stone.